A actriz Maria de Medeiros têm aos 42 anos, um invejável percurso internacional. Sobretudo no cinema, mas também no teatro. Já trabalhou em Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos e, principalmente, França. Para além da presença à frente das câmaras tem também, de forma mais pontual, passado para trás delas, assinando alguns filmes como realizadora e argumentista.Em Portugal, a sua experiência com mais projecção em ambas as actividades foi “Capitães de Abril”, filme realizado no ano 2000, com um elenco internacional, sobre a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Este importantíssimo período da recente história de Portugal tem sido pouco tratado e adaptado para o registo ficcional. Mas a estética poética do filme, que não se prende só aos factos históricos, teve uma recepção controversa da crítica e do público.
Desta primeira incursão despreocupada pelo cinema até se tornar uma actriz de renome internacional há a distância de alguns anos, até que ganha consistência o projecto de se dedicar à interpretação.
Foi só depois da passagem pelo curso de Filosofia na Universidade de Sorbonne - Paris IV que procurou formar-se como actriz. Ainda em Paris, onde passou a viver, frequentou a École Nationale Supérieure des Arts et Techniques du Théâtre e o Conservatoire National Supérieur d’Art Dramatique.A carreira de actriz começa no teatro, principiando o seu trabalho com a encenadora Brigitte Jacques. Só depois é que inicia a carreira cinematográfica internacional. Interpretou, em 1990, o papel da escritora Anaïs Nin, no filme de Philip Kaufman, “Henry e June”, e, em 1994, “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino.
A presença nestes filmes não lhe estimulou a vontade de viver nos EUA. A sua opção foi sempre pelo cinema de autor, onde quer que este esteja a ser realizado. É assim que, nos cerca de 50 filmes em que já participou, foi dirigida por alguns dos mais notáveis criadores da sétima arte.
Antes de todos estes prémios e inequívoco reconhecimento internacional, já Miguel Esteves Cardoso assinava um artigo na extinta revista “K”, em Dezembro de 1990, intitulado “As mil marias de Maria de Medeiros” E termina, ressaltando que ela “é uma estrela em qualquer língua. Em qualquer arte. Em qualquer luz. Em qualquer parte. É a Maria.”








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