Livro de Cousteau chega esta quarta-feira às livrarias. Já antes de morrer alertava para a poluição, a pesca excessiva e a destruição dos habitats marinhos
A poluição, a pesca excessiva e a destruição dos habitats marinhos são alguns dos temas abordados por Jacques Cousteau no livro «O Homem, a Orquídea e o Polvo», que chega esta quarta-feira às livrarias, informa a Lusa.
A última obra do explorador dos oceanos, falecido em 1997, foi escrita em parceria com a jornalista Susan Schiefelbein e é editada em Portugal pela Difel na colecção Agir Verde, cujos livros são impressos em papel reciclado.
Dividida em 11 capítulos, a edição portuguesa tem um prefácio do presidente do conselho de administração da Águas de Portugal, Pedro Cunha Serra, e mantém o prefácio original, assinado pelo escritor, docente e ambientalista Bill McKibben, além de um epílogo em que Susan Schiefelbein actualiza informações, dando conta dos desenvolvimentos ocorridos em algumas das áreas referidas por Cousteau já após a morte deste.
Aquecimento global pode deixar oceanos sem oxigénio
A actualização de dados a que Susan Schiefelbein procede evidencia que várias agressões e «doenças do ambiente» referidas por Jacques Cousteau há vários anos têm sofrido agravamentos e continuam sem tratamento.
Menos criaturas nos textos de Cousteau
Entre as várias impressões colocadas por Jacques Cousteau nos textos que compõem o livro, figura uma observação sobre o facto de, no final dos anos 60, ter notado uma «diminuição considerável» no número de criaturas que vira nas suas primeiras expedições, duas décadas antes.
«O Homem, a Orquídea e o Polvo» cruza histórias das viagens que o oceanógrafo francês fez um pouco por todo o mundo com alertas sobre a pesca desregrada, os perigos da proliferação nuclear ou a responsabilidade dos cientistas, dos políticos e dos cidadãos em geral face ao meio ambiente.
Momentos de exaltação da vida como a reprodução entre as espécies ou alguns rituais comunitários são também descritos pelo explorador francês, que revela episódios vividos a bordo do barco Calypso em pontos tão distintos como a Antártida, a Grécia, a Amazónia, a Califórnia ou o Belize.
Constituindo-se, portanto, num relato de aventuras e num apelo à defesa da vida na Terra, o livro – que Cousteau escreveu nos últimos dez anos de vida, em parceria com Susan Schiefelbein – apresenta o seu ponto de vista sobre a protecção do planeta, revelando as preocupações do explorador com a poluição e o saque dos mares.