La Valetta, 08 Mai (Lusa) - O primeiro-ministro francês, François Fillon, defendeu hoje que é preciso “evitar exercer uma pressão excessiva” sobre os irlandeses que vão manifestar-se por referendo, provavelmente a 12 de Junho, sobre o Tratado de Lisboa.
“É preciso primeiro deixar o povo irlandês pronunciar-se serenamente e é preciso evitar fazer uma pressão excessiva sobre os irlandeses que seria contraproducente”, afirmou Fillon, numa visita à capital maltesa na perspectiva da presidência francesa da União Europeia, no segundo semestre do ano.
“Cada nação é livre de pronunciar-se (…) o que nós os europeus podemos fazer, é responder às questões que os irlandeses colocam e dar-lhes garantias que eles podem confiar”, acrescentou Fillon durante uma conferência de imprensa com o seu homólogo de Malta, Lawrence Gonzi.
Segundo uma sondagem divulgada em Abril, só cinco por cento dos irlandeses dizem compreender “bem” ou “muito bem” o Tratado de Lisboa.
Quarta-feira, o secretário de Estado para os Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet, advertiu para a possibilidade de os irlandeses rejeitarem o tratado simplificado.
“Se por infelicidade houvesse um não na Irlanda, o processo pararia. Não há um plano B. Voltaríamos ao Tratado de Nice. Seria um recuo para a Europa (…) “Não devemos iludir-nos, seria uma paragem para a Irlanda e para a construção europeia”, afirmara Jouyet.
TM.

Os principais pontos do acordo de paz defendem que:
-a Irlanda do Norte continue fazendo parte do Reino Unido, a menos que a maior parte da população opte pela separação;
-desarmamento total dos grupos envolvidos;
-um conselho ministerial atuando entre as duas Irlandas na promoção do interesse comum;
-elaboração de uma assembléia de 108 membros escolhidos entre católicos e protestantes.
O acordo entrou em vigor em 2000, mas a paz ainda é uma incógnita, já que a intolerância entre católicos e protestantes foi a marca maior nas relações destes povos.
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