O ministro do Ambiente afirmou esta quinta-feira que o resultado do relatório ambiental final sobre o novo aeroporto de Lisboa elimina a possibilidade de «chumbo» da localização em Alcochete por razões ambientais, escreve a agência Lusa.
«A possibilidade de chumbo é uma hipótese que seria académica ou bizantina colocar», disse Nunes Correia, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do conselho de ministros.
O conselho de ministros aprovou esta quinta-feira uma resolução que confirma «a aprovação da localização do novo aeroporto de Lisboa na zona do Campo de Tiro de Alcochete», seguindo as conclusões do relatório ambiental final, elaborado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
Alcochete: ambientalistas chumbam aeroporto
A Liga para Protecção da Natureza (LPN) e o Geota (Grupo de Estudos de Ordenamento do território e ambiente) são contra a construção de um aeroporto na zona de Campo de Tiro de Alcochete (CTA). A sua posição foi divulgada através de um comunicado conjunto enviado aos órgãos de comunicação social.
Além das questões ambientais levantadas por estas duas associações ambientalistas a LPN e o Geota questionam «a urgência de construção de um novo aeroporto de Lisboa». Perante a «escalada do preço do petróleo, que tem motivado frequentes subidas no valor das tarifas praticadas pelas companhias aéreas e a futura inclusão de uma taxa de emissão de gases com efeito de estufa nessas mesmas tarifas, contrariam a previsão de um aumento do tráfego aéreo, que sustenta esta proposta de construção de um novo aeroporto», lê-se no comunicado.
http://diario.iol.pt/noticia.html?id=927960&div_id=4070
A escolha do CTA para receber o novo aeroporto é «em nosso parecer, uma má decisão política para o ambiente, para a conservação da natureza, para uma gestão adequada dos recursos naturais e para o ordenamento do território», escrevem as associações.
Riscos de colisão
Para os ambientalistas «a insuficiente avaliação no nível de risco de colisão entre aves e aeronaves poderá acarretar consequências gravosas para a futura navegação aeronáutica».
O aquífero Tejo-Sado
O comunicado lembra ainda que «o aquífero Tejo-Sado, que será afectado pelo novo aeroporto, é o maior reservatório de água subterrânea da Península Ibérica, contendo água de boa qualidade para o consumo humano e rega, que constituem as principais utilizações deste aquífero».
A possibilidade de expansão do aeroporto em Alcochete é também, para os ambientalistas, «uma das vantagens cruciais desta opção».
Recorde-se que no passado dia 10 de Janeiro, José Sócrates anunciou a decisão preliminar de construir o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) na zona do Campo de Tiro de Alcochete e determinou que a Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), baseada no relatório do LNEC, fosse submetida a consulta pública.
Insuficiente
Após analisarem a AAE, a LPN e o Geota garantem ter «encontrado deficiências graves neste estudo, sobretudo relacionadas com a definição do seu âmbito, o que conduz a conclusões enviesadas ou, pelo menos, a uma avaliação claramente insuficiente dos impactos deste empreendimento». Para as associações «não há neste momento condições para uma decisão definitiva e fundamentada sobre a localização e o calendário para o novo aeroporto de Lisboa».
«Parece-nos claro que qualquer decisão imediata, seja a favor da Ota ou do CTA, iria implicar impactes inaceitáveis ainda não devidamente equacionados, pelo que os nosso pareceres à AAE do NAL e às conclusões a que chega são claramente negativos», terminam.

Para além das Paisagens e do Património Natural, a Península de Setúbal goza da vantagem de ser servida pelo mais produtivo (acima dos 400 m3/dia sendo a probabilidade de insucesso em furos com mais de 200m relativamente reduzida), e extenso (6 920 Km2) aquífero do Continente – o aquífero da bacia Tejo/Sado, que abastece de água potável toda a região.
A qualidade da água é genericamente classificada como sendo de boa qualidade para consumo humano.
Quanto aos recursos hídricos de superfície, para além das reservas de água dos rios Tejo e Sado, a PS é relativamente pobre em água para usos humano e agrícola, por causa da fraca precipitação, agravada pela irregularidade dos caudais e o nível de poluição das linhas de água que flúem na região, o que obriga à necessidade de se recorrer ao regadio no período de estiagem e ao armazenamento de água.
Estas características justificam os consumos intensivos a que o aquífero tem estado sujeito para a satisfação das necessidades dos Municípios, unidades industriais, hoteleiras e agro-pecuárias.
A intensidade destes consumos tem vindo a aumentar, mercê do rápido crescimento demográfico, industrial e dos serviços (responsáveis entre si por 29% das captações), mas sobretudo, do aumento das necessidades da cultura intensiva de regadio (principalmente em Palmela, Montijo, Setúbal, Moita e Alcochete), responsável por 71% das captações. Apesar de os consumos actuais não ultrapassarem as capacidades de regeneração natural do aquífero, verificam-se todavia algumas situações, não relacionadas com a diminuição dos caudais disponíveis, mas com a qualidade da água. Têm-se registado elevadas concentrações de nitratos nas áreas de culturas intensivas do concelho de Setúbal e dois casos de salinização no Barreiro e em Setúbal. Se bem que não sejam considerados muito graves, estes problemas tenderão a aumentar no futuro próximo, se não houver um controlo adequado do sistema de captação e alguma racionalização no tipo de tecnologias e modos de produção usados pelos sectores produtivos. A qualidade do sistema de captação apresenta uma percentagem muito elevada de perdas de água, o que constitui um grave desperdício. É de realçar que, se o aquífero for afectado, ou pela poluição (difusa e/ou por influência da poluição das águas fluviais e dos estuários), ou pela salinização, este será um processo irreversível e a Península de Setubal perderá um dos seus maiores trunfos de desenvolvimento.
In Pedepes – Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Península de Setúbal
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