sexta-feira, setembro 03, 2010

A Frase: “Há governantes que têm mais dinheiro que os bancos”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carlos Gouveia, candidato da oposição às eleições presidenciais de Angola, in Correio da Manhã

Entrevista

Há governantes que têm mais dinheiro que os bancos”

Carlos Gouveia, presidente do Partido Republicano de Angola (PREA), candidato às eleições presidenciais, fala da corrupção que considera institucionalizada no seu país e do perigo real do eventual regresso à guerra civil, devido aos desequilíbrios na sociedade angolana.

 Correio da Manhã – O que o leva a candidatar-se à presidência de Angola?

 Carlos Gouveia – A minha candidatura é uma espécie de remédio para curar os grandes males que estão a destruir o sistema político, económico e social do meu país.

 – A corrupção é um desses males?

 

– É dilacerante. É preciso combater a corrupção que se institucionalizou em Angola. Há governantes que detêm grandes poderes, somas exorbitantes no país e no estrangeiro. A corrupção não só constitui uma ameaça política e militar, mas também económica e humanitária. Há muitas fraudes. Há governantes corruptos que têm mais dinheiro que alguns bancos. Mas também há generais das Forças Armadas, oficiais da polícia e deputados do MPLA (Movimento para a Libertação de Angola) que não sabem provar os bens que têm. É preciso confiscar os bens públicos usurpados por estes corruptos durante a guerra. José Eduardo dos Santos privatizou o Estado e a economia do país. O MPLA detém o monopólio financeiro da Nação.

 

– Que consequências tudo isto poderá ter?

 

– Graves. Há militares no activo sem salários e é preciso ter em atenção que os antigos combatentes e veteranos de guerra podem revoltar-se e regressar à guerra porque eles estão numa situação de extrema pobreza, enquanto há generais com milhares de dólares. A grande arma contra o MPLA é a força do povo que está cansado de José Eduardo dos Santos. O povo está cansado do sofrimento.

 

– Ficou surpreendido com as declarações de Bob Geldof?

 

– O que Geldof disse não é mentira. Mentira são os editoriais do ‘Jornal de Angola’ que, como todos sabemos, é controlado pelo MPLA e governo. As opiniões dos partidos da oposição não passam na rádio nacional, na televisão e no ‘Jornal de Angola’. O MPLA e o governo dizem na imprensa deles tudo aquilo que entendem.

 

PERFIL

 

Carlos Alberto Contreiras Gouveia nasceu no município do Sambizanga, em Luanda, a 14 de Março de 1966. Casado e pai de seis filhos, licenciou-se em Ciências Políticas e Económicas pela Faculdade de Boston (EUA). Esteve exilado na Suíça, Itália, Alemanha e EUA, onde em 1994 fundou o PREA, reconhecido como partido político em 1997.

 Carlos Menezes

 

2 Comentários

  1. [...] A Frase: “Há governantes que têm mais dinheiro que os bancos” [...]

  2. Ayres Guerra Azancot de MenezesNo Gravatar disse:

    O MPLA E A HARMONIZAÇÃO COM O FUTURO

    Do ponto de vista de carácter intelectual qual a força que o MPLA da segunda geração representa face ao anterior l?
    De que forma a força motriz intelectualizada, para poder ter uma certa representatividade e integração plena na hierarquia científica, produtiva, terciária, secundária e governativa deverá proceder?
    Com o tempo esta geração será cada vez mais diminuta.
    Esta integração plena e contribuição, a semelhança de uma rede de ligação com a geração dos descendentes do maqui para revalorizar, incrementar, desenvolver, perpetuar a mensagem e os valores do passado recriados numa visão pró-activa na criação de novos valores para fazer frente aos desafios.
    Delinear a melhor forma de reestruturar, melhorar, consolidar e fomentar competências na preservação e estimulação de recursos e manutenção de valores conquistados.
    A integração de novos valores não implica a destruição ou aniquilamento dos valores herdados arduamente construídos sob o signo da modernização.
    Não devemos deixar emergir de forma espontânea e promíscuo o desejo de mudança fácil e abrupto.
    O projecto de cidadania tem que comportar o respeito pela preservação de uma identidade.
    Por mais complexa ou tradicional, os actores reformistas terão que manter uma postura séria, coerente e pró-activa independentemente das novas motivações e arranjos institucionais que se pretendem introduzir nas novas culturas organizacionais.
    O MPLA tem a responsabilidade de capacitar os descendentes de milhares de antigos combatentes por uma questão de honra e compromisso face ao passado.
    Devemos fomentar o respeito e valorização contínua das conquistas que representam marcos históricos.
    O tempo deve afigurar-se como estimulador e fonte de criatividade institucional.
    A recriação dos valores deverá ser uma constante e não motivo de aniquilamento natural.
    O fenómeno de integração de novos valores culturais, tanto organizacionais e sociais deveriam ser bem optimizados e enquadrados para não provocar descontrolos.
    De que forma o testemunho para as próximas gerações será legado?
    De que forma os gurus do MPLA farão essa transferência?
    Será que os filhos saberão executar os ensinamentos sabiamente transmitidos para que a transição seja harmoniosa?
    Como será a descodificação de tudo isto?
    O futuro mais longínquo depende do presente e misteriosamente do passado gradualmente por descodificar.
    O MPLA é um só ,com uma complexidade interna própria de uma estrutura dinâmica e de auto-regeneração ,agilidade de pensamento , grande pragmatismo e interactivo.
    A fonte de pensamento tem motivos para ser distintiva porque possui modos próprios com certa ancestralidade invulgar, com tendências adaptativas, regeneradoras sempre com pendor de equilíbrio geoestratégico.
    Uma das preocupações centrais do MPLA deverá ser cumprir, respeitar a dignidade, respeitabilidade de todos sobreviventes do nacionalismo Angolano numa dimensão do universo civilizacional sempre dentro do espírito vivo.
    ESCRITO POR:
    AYRES GUERRA AZANCOT DE MENEZES

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