Louçã e Sócrates entram em confronto. Santana teme pelas crianças nas galerias: «Devem ter apanhado um susto». BE foca intervenção no Código de Trabalho, mas apela ao boicote às gasolineiras. CDS surpreende e anuncia moção de censura ao Governo
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Era para falar apenas de combustíveis, e aproveitou para apelar ao boicote às gasolineiras nos primeiros dias de Junho, mas a intervenção do Bloco de Esquerda levou o debate quinzenal com o primeiro-ministro, esta quinta-feira, no Parlamento, para o Código de Trabalho, para os sindicatos e para um inevitável confronto.
Mais uma moção de censura
Sobre o Código de Trabalho, o deputado bloquista menosprezou o acordo, e em poucos minutos, Francisco Louçã e José Sócrates trocavam acusações e o epíteto de «mentiroso». Os ataques levaram José Sócrates a recordar o discurso do deputado Francisco Louçã, que classificava alguns sindicatos de «pouco sérios». «O Governo celebrou um acordo com os sindicatos – na sua lógica um acordo com sindicatos «pouco sérios» -, ora quem representa os interesses dos trabalhadores são os sindicatos e não o senhor», disse, dirigindo-se a Louçã.
Ataques cobardes, diz Sócrates
O momento que se seguiu foi de alguma agitação nas bancadas, com Francisco Louçã a acusar
o secretário-geral da UGT, João Proença, também dirigente da comissão política do PS, de ter andado a dar conferências aos militantes socialistas para explicar o Código de Trabalho.
Na réplica, Sócrates pede «seriedade no debate político. E a primeira regra é não dizer mentiras»: «João Proença não anda a fazer sessões com o PS explicando o Código de Trabalho. E o senhor deputado recorre à mentira para atacar a UGT. Estava implícito no outro debate que quando falava de sindicatos pouco sérios se referia à UGT. O facto de João Proença ser do PS não o limita em nada o seu trabalho como sindicalista».
O primeiro-ministro continuou, acrescentando que Louçã já tinha atacado «Jorge Coelho, agora João Proença e depois faz-se de vítima». «O senhor ataca com cobardia, porque ataca quem não está presente».
«Os portugueses sabem quem é o mentiroso»
Mas Francisco Louçã garante que João Proença esteve presente nessas reuniões do PS. «Eu tenho provas disso», garantiu, enquanto aos jornalistas era distribuído um recorte do jornal Público, datado do dia 10 de Maio, que noticia uma sessão no Porto, com João Proença, secretário-geral da UGT, «militantes da maior distrital do PS», o ministro e o secretário de Estado do Trabalho. «Os portugueses olham para mim e olham para si – e levante os olhos, se faz favor – e sabem quem é mentiroso», gritou o bloquista, dirigindo-se a José Sócrates.
O deputado não tem dúvidas que o primeiro-ministro fica «azucrinado» com a bancada do Bloco, mas repescou uma história antiga para dizer que «cobardia é o ataque pessoal à jornalista Fernando Câncio. E essa acusação não veio desta bancada, mas do PSD».
O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, que se recusou a responder ao BE e «à sua linguagem animalesca», acabou por retorquir ao bloquista Luís Fazenda, que fez uma interpelação à mesa para defesa da honra da bancada, com a adaptação de um clássico de Aquilino Ribeiro. «Quando os lobos uivam» passou, na pena do socialista de Alberto Martins, a «Quando os lobos insultam, os cidadãos julgam».
Santana Lopes, que não quis entrar nesta disputa, temeu pelas crianças que estavam nas galerias no início do debate. «Devem ter apanhado um susto» com este «wrestling político e combate intenso. Mas já se sabe que é só aqui, depois chega-se à câmara da capital e estão juntos. No meio ainda houve tempo para um momento de publicidade e vamos agora ao National Geografic e à realidade», ironizou o líder parlamentar do PSD para introduzir o tema da pobreza em debate.
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