Espaço abriu no Verão passado. Mulher não entra no SPA
O aviso de «Dark Night» à porta prenuncia uma noite diferente. O «jacuzzi», os recantos escuros e uma área sadomasoquista são atractivos num espaço «gay» que se afirma como único no país com hotel e SPA e onde mulheres não entram.
Desde o Verão que o espaço funciona numa vivenda situada numa zona conhecida de Albufeira, que passa despercebida à maioria e onde, só depois de um olhar mais atento, se vê um letreiro com a inscrição «Thermas Pride – Guest House & Spa for Men».
Os quartos destinam-se a qualquer casal, mulheres incluídas, mas a utilização do Spa é exclusiva para homens, explicou o gerente, M.Poeira, que sublinha que este é o único espaço «gay» do país que alia o conceito de hotel e Spa.
Pedro Castro, fundador de uma rede mundial à qual já pertencem 27 hotéis.
Rede de Hotéis Gays e lésbicos www.attitudehotels.com
Pedro Castro garante que já visitou mais de cem hotéis em todo o mundo. E nem sempre gostou do que viu. Por isso, este lisboeta de 31 anos, radicado há oito em Zurique, na Suíça, marketer de profissão, decidiu fundar uma rede de hotéis gays e lésbicos, a Attitude Hotels (www.attitudehotels.com).
Única no género, segundo diz o empresário, a rede começou agora a funcionar na Europa e nos EUA. Já tem 27 hotéis associados. Dos dois que ficam em Lisboa há um que vai abrir as portas daqui a três meses.
Pedro Castro não é proprietário ou gestor desses hotéis.
Porque a Attitude (que começou a ser pensada há um ano e meio e foi apresentada ao público no início de Março, na feira de turismo ITB, em Berlim) não é uma cadeia de hotelaria.
É um representante de hotéis gays. Serve de chapéu a todas as unidades que se lhe associem – tal como acontece com a conhecida marca americana Leading Hotels of the World, de hotéis de luxo. É uma espécie de agência de hotéis independentes, ou seja, dos que não pertencem aos grandes grupos.
Os associados pagam uma comissão à Attitude, mas o cliente não paga nada mais por chegar aos hotéis através deste intermediário.
A pergunta óbvia é: por que razão os clientes vão reservar um hotel através da Attitude se o podem fazer directamente? Evitam desilusões, responde o empresário. “Muitas vezes, os hotéis apresentam-se como gays ou gay friendly e, na verdade, não são nada disso, usam essas designações apenas para atrair clientes. Ou então são gays, mas têm mau serviço e mau aspecto e ficaram parados nos anos 80”, explica. Ora a Attitude, diz, “sabe o que está a vender, garante que todos os hotéis afiliados são mesmo gays e que as pessoas não vão ficar desapontadas”.
Daí o número astronómico de hotéis já visitados por este antigo empregado do departamento de marketing da Portugália e da Swissair – desde residenciais a hotéis de cinco estrelas.
Actualmente, já não é só ele que faz as visitas. Tem dois funcionários. “Contactamos as unidades, vamos conhecê-las, dormimos lá e depois vemos se elas se inserem ou não no conceito da Attitude”. Se sim, passam a ser representadas, encaixando-se numa de três categorias (Premium, Comfort e Value), conforme o nível do serviço prestado.
Se os clientes não gostarem, a responsabilidade cabe ao hotel em questão e não à Attitude, lê-se no site oficial.
Em Lisboa, já dois hotéis aderiram a esta rede. A residencial My Rainbow Rooms, que há quase três anos existe perto do Saldanha. Tem quatro quartos e 200 metros quadrados, com preços entre 29 e 69 euros por noite, conforme a época do ano.
E o Palacete Chafariz d’El Rei, um edifício do fim do século XIX, junto ao Jardim do Tabaco, onde, a partir de Julho deste ano, estarão a funcionar três suites: duas com vista para o Tejo (300 euros por noite) e uma com vista para Alfama (200 euros) – segundo confirmou à Time Out o Relações Públicas do Palacete, Rui Teixeira Lopes. Em Portugal, há mais duas unidades representadas pela Attitude: os hotéis Casa Marhaba e Casa Charneca, ambos no Algarve.
Questionado sobre se é mais difícil em Portugal do que noutros países encontrar hotéis interessados em associar-se à rede Attitude, Pedro Castro limita-se a confirmar que sim, mas não encontra grandes explicações. Baseado na sua própria experiência, defende os benefícios para os homossexuais do alojamento em sítios gays: nem os outros clientes nem os empregados os olham de lado; estão à vontade para conhecer novas pessoas (leia-se, engatar) porque sabem que estão num ambiente favorável; e os empregados da recepção estão aptos a informar sobre os sítios gays recomendáveis na sua cidade.
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