Mário Lino também sacode a água do capote?

Águas de Portugal vivem situação financeira «débil» 

 

O Tribunal de Contas considerou, esta sexta-feira, que o Grupo AdP está numa situação económico-financeira «débil», afirmando mesmo que há empresas em «risco iminente» e que urge uma reestruturação imediata do sector

por visao.pt    - 04 Jul 2008

 

 

 

 

 

Na auditoria que fez ao grupo – que integra 65 empresas – o Tribunal de Contas considera que a AdP Internacional, a AdP Serviços, a AdP Formação e a Reciclamas apresentam «graves problemas estruturais, situações patrimoniais deficitárias e inviabilidade económico-financeira dos seus negócios».

 

«Urge uma imediata e eficaz reestruturação do sector promovida pelo Governo português e articulada quer com o Grupo Águas de Portugal quer com as Autarquias locais envolvidas», conclui o Tribunal de Contas, numa recomendação ao Estado, único accionista do grupo.

 

Segundo o relatório do Tribunal de Contas, a situação de fraqueza e os resultados negativos do grupo devem-se sobretudo ao «falhanço empresarial» da internacionalização do grupo para o Brasil e Cabo Verde.

 

«O grupo AdP foi utilizado como instrumento de política externa do Governo português…Esta decisão teve fortes impactos negativos para o grupo empresarial traduzidos num sistemático esforço de financiamento e num acumular de resultados económico-financeiros negativos», diz a auditoria do tribunal.

 

Só na AdP Internacional, o grupo injectou 30,3 milhões de euros, entre 2003 e 2007, segundo a auditoria.

 

A fragmentação do sector, devido à existência de demasiadas unidades empresariais para a dimensão do mercado, e «eventuais ineficiências de gestão», são apontadas pelo Tribunal de Contas como outras das explicações para a situação económica e financeira do grupo.

 

O tribunal coloca também em causa a solidez das contas das empresas do grupo na área do negócio da água, que apresentaram resultados líquidos positivos acumulados de 36,2 milhões de euros.

 

 

«Aqueles resultados encontravam-se empolados já que deles constam proveitos no montante de 42,3 milhões de euros…que, para além de não terem sido facturados, as empresas não têm garantia segura de que serão arrecadados», diz a auditoria.

 

O relatório diz também que, até 2005, o Grupo AdP beneficiou do efeito positivo dos fundos comunitários, o que contribuiu para exercícios económicos positivos e crescentes.

 

«Em 2006, o comportamento até então verificado inverteu-se significativamente e o grupo apresentou um resultado líquido do exercício de 24,2 milhões de euros negativos, decorrentes das perdas emergentes dos negócios da unidade internacional», acrescenta.

 

 

A análise do tribunal incidiu fundamentalmente nos exercícios de 2003 a 2006.

 

O relatório de auditoria prossegue afirmando que o grupo AdP evidenciou entre 2003 e 2006 «preocupantes défices de tesouraria».

 

 

Em Dezembro de 2006, o endividamento bancário do grupo ascendia a 1,7 mil milhões de euros e os encargos desse financiamento custaram no quadriénio 2003-2006 cerca de 154 milhões de euros.

 

Apesar disso, no mesmo período, o grupo recebeu auxílios comunitários, nomeadamente do Fundo de Coesão, no montante total de 200,7 milhões de euros.

 

A AdP é participada pela holding estatal Parpública (70,80 por cento), pela Caixa Geral de Depósitos (20,37 por cento) e pela Direcção-Geral do Tesouro (8,83 por cento).

 

O grupo detém participações sociais em empresas que agrupadas em três áreas de negócio – Água, Resíduos e Serviços Partilhados.

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