
Todas estas condições são mais difíceis de gerir num contexto em que um dos problemas mais graves da economia portuguesa é a quebra continuada no investimento.
Num estudo exaustivo, Eugénio Rosa demonstra que, entre 2002 e 2006, o investimento em Portugal, a preços constantes de 2000, diminuiu em 13%, ou seja, o investimento realizado em 2006 foi inferior ao de 2002 em 3474,9 milhões de euros.
Como consequência, o crescimento económico tem sido reduzido, o que tem provocado o atraso crescente do País quando comparado com a União Europeia (UE), e o desemprego tem aumentado.
Em contrapartida, de acordo com o Eurostat, entre 1996 e 2005, o “stock” de investimento de empresas portuguesas no estrangeiro aumentou em 1197,9%, pois passou de apenas 2896 milhões de euros para 37 591 milhões de euros: um aumento de 34 695 milhões de euros.
Esta subida significativa do investimento no estrangeiro determinou que os rendimentos recebidos pelas empresas portuguesas, entre 2000 e 2007, tenham passado de 4969 milhões de euros para 11 601 milhões de euros, ou seja, aumentaram em 133,5%. Por outro lado, segundo dados do Eurostat e do Banco de Portugal, entre 1996 e 2005, o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em Portugal passou de 15 407 milhões de euros para 54 689 milhões de euros: mais 255%. ~
Tendo em conta a percentagem destes investimentos no PIB português, o IDE passou de 17% para 36,8%. Resultado disso, a exportação de rendimentos para o estrangeiro, entre 1996 e 2007, passou de 4083 milhões de euros para 18 351 milhões de euros: um crescimento de 349,5%.
Como as saídas de rendimentos são, de forma crescente, superiores às entradas, o saldo negativo desta balança, entre 2000 e 2007, passou de 2611 milhões de euros para 6750 milhões de euros (+158,5%).
Conclusão, uma parte crescente da riqueza criada no País está a ser transferida para o estrangeiro, ficando em Portugal uma parcela cada vez menor. Além disso, convém relembrar que «o investimento estrangeiro é um pau de dois bicos», relembra Eugénio Rosa, dando o exemplo da AutoEuropa.
Por um lado, se o elevado grau de exigência exigido pela multinacional obriga as muitas empresas fornecedoras de matérias-primas que surgiram à sua volta a um constante investimento nas últimas tecnologias e a um aperfeiçoamento de métodos que aumenta a competitividade; por outro, cria um grau de dependência em que as empresas mais pequenas ficam totalmente dependentes.
CRESCIMENTO DAS DESIGUALDADES

Enquanto a economia portuguesa cresceu a uma taxa próxima da estagnação, as desigualdades nunca aumentaram tanto depois do 25 de Abril como agora.
Em Portugal, no ano de 2005, os rendimentos dos 20% mais ricos da população foram 8 vezes superiores aos rendimentos dos 20% mais pobres quando em 2004 era 7 vezes, portanto em apenas num ano de governo PS este indicador de desigualdade aumentou 14%.
Em 2006, os vencimentos dos trabalhadores da Administração Pública aumentaram apenas 1,5%, as remunerações de todos os trabalhadores 2,7% e a taxa de inflação 3,1%, o que determinou uma redução generalizada do poder de compra no nosso País. Nesse mesmo ano, os lucros das 500 maiores empresas não financeiras aumentaram 67% e, entre 2004 e 2006, os lucros da banca cresceram 135%.
as receitas perdidas pelo Estado devido aos os benefícios fiscais concedidos atingirão 10.318 milhões de euros sendo, pelo menos, 71% deste valor concedidos a empresas e fundamentalmente a grandes empresas.
A pobreza está também a atingir os trabalhadores empregados. De acordo com o INE, no ano de 2006 20%, dos trabalhadores por conta de outrem, ou seja, 700.000, recebiam um salário inferior a 400 euros por mês. Intervenção de Eugénio Rosa na AR (Excertos)