sexta-feira, setembro 03, 2010

Combate a incêndios e as “promessas”

Há cinco anos que as corporações do distrito de Santarém não recebem viaturas de combate a incêndios, denuncia a Federação de Bombeiros, que acusa a Autoridade Nacional de Protecção Civil de não colmatar a falha.

Terminada a actual época de incêndios, que começou a 15 de Maio e se estende até 15 de Outubro, mais de metade dos veículos usados pelos bombeiros do distrito no combate a incêndios florestais e urbanos corre o risco de estar completamente inoperacional. Com a agravante de não estar prevista a sua substituição. Um cenário que se repete há cinco anos consecutivos e que leva a Federação de Bombeiros do Distrito de Santarém não só a questionar a capacidade operacional das corporações, como a apontar responsabilidades à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) pelo arrastar deste problema.

Segundo Adelino Gomes, presidente da federação, muitas viaturas não estão preparadas para aguentar mais um Verão completo. Tal facto pode levar a que a resposta dos bombeiros se torne deficiente. “A maioria das viaturas têm mais de 15 anos. Numa situação normal, até poderiam chegar aos 30 anos de duração, mas com o trabalho crítico desenvolvido não duram mais de dez. Todo o material está obsoleto. E os problemas são mais acentuados quando surgem várias solicitações em simultâneo”, alerta o responsável, também comandante dos Bombeiros Voluntários de Constância.

Ao facto de a região não receber do Estado viaturas novas, associa-se a ausência de comparticipação dos custos de manutenção das existentes, após o trabalho desenvolvido na época de incêndios. “As viaturas que depois de 15 de Outubro entram numa oficina não têm os seus custos suportados. Apenas de 15 de Maio a 15 de Outubro é que estão salvaguardadas pelos planos dos fogos florestais. Ora a partir dessa data nada é pago. Rigorosamente, nada!”, frisa Adelino Gomes.

A ANPC anunciou que irá atribuir ao distrito cinco novos veículos (um deles destinado ao combate a incêndios urbanos), financiados por fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Mas apenas poderão ser entregues no final de 2009.

“Não se lembraram da minha corporação. Tenho uma viatura com mais de 26 anos e outras duas que vão a caminho da mesma idade”, explica José Guilherme, comandante dos bombeiros de Benavente. Panorama que não difere do de Salvaterra de Magos, que tem um veículo com mais de 20 anos. “O mais novo é um autotanque com dez anos, que só leva 750 litros”, admite João Gomes, líder daquela corporação.

Contactada, a ANPC não se mostrou disponível para responder às queixas dos bombeiros do distrito de Santarém.

Deixe um Comentário

This site is using OpenAvatar based on