por Paulo Pinto Mascarenhas, Publicado em 04 de Fevereiro de 2010
A ex-directora-adjunta de informação da TVI acrescenta ao rol de testemunhas o jornalista do canal de Queluz de Baixo Carlos Enes. “Trabalhou muitos anos comigo, é um grande profissional, seriíssimo e conhece bem o modo como sempre funcionou o Jornal Nacional de Sexta-Feira, de acordo com todas as regras do jornalismo.”
Sobre o próprio Mário Crespo, que completa o quadro de testemunhas ligadas à comunicação social, diz Manuela Moura Guedes: “É um grande profissional, que conheço muito bem, um jornalista de grande qualidade, com quem trabalhei no Jornal das Nove, na RTP, e com quem muito aprendi.”
Quanto ao “caso Mário Crespo”, diz que é mais uma demonstração da personalidade de José Sócrates: “Há quem não se habitue à liberdade de informação e não consiga aceitá-la.” Mais: “O primeiro-ministro nunca desmentiu as notícias do Jornal Nacional. Se desmentisse e se não fossem verdadeiras, eu teria de fazer mea culpa, obviamente.”
Ao contrário de Pinto Balsemão, afirma Manuela Moura Guedes: “Como político, quando foi primeiro-ministro, era criticado todos os dias no jornal de que era proprietário – o “Expresso” – e nunca reagiu em público. Esteve do outro lado e nunca procurou interferir. É por tudo isto que tenho o maior respeito por ele na sua qualidade de patrão da comunicação social.”
O processo-crime movido a José Sócrates resulta das palavras proferidas pelo primeiro-ministro no Congresso do Partido Socialista em Março de 2009 e depois numa entrevista na RTP em Abril, quando atacou directamente Manuela Moura Guedes e o Jornal Nacional de Sexta-Feira, que acabou por ser retirado da antena do quarto canal, tal como a própria jornalista, hoje de baixa médica.
Moura Guedes afirma que não estão em causa as pressões de políticos sobre jornalistas, porque “todos os políticos se queixam e todos fazem pressões, ou tentam fazer”. A jornalista acrescenta que outra das suas testemunhas no processo contra José Sócrates, o presidente do CDS, Paulo Portas, chegou a enviar-lhe “uma carta muito formal” em tempos com várias queixas, “de um ministro da Defesa para uma jornalista, o que é legítimo”. O que não podem, ou não devem, acrescenta, “é atacar o direito à liberdade de informação, como fez o primeiro–ministro. Nunca vi nada semelhante”.
Manuela Moura Guedes termina as suas declarações ao i afirmando que processa o primeiro-ministo, por considerar que os tribunais costumam ser os locais apropriados para resolver estas questões. “Digo costumam porque eu espero que assim seja. Ainda tenho esperança”, termina.
ERC discute Ontem também a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, através do seu conselho regulador, emitiu um comunicado em que informa ter iniciado “a discussão sobre o dito ‘caso Mário Crespo’”, aproveitando para o efeito a “reunião ordinária de quarta-feira”. Mais informa “que, até ao momento, foram recebidas nesta entidade várias queixas que deram origem à abertura de um processo a instruir nos devidos termos”. Em entrevista ao i de ontem, Crespo garantiu que apresentaria queixa à ERC na terça-feira.
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