Director da PJ de Aveiro deu o alerta-
Tudo começou quando Teófilo Santiago, que coordena a investigação da PJ no ‘Face Oculta, reportou:
A presente investigação tem como objecto, primeiro, apurar em toda a sua extensão as actividades ilícitas, mormente corruptivas, de Manuel Godinho, no sentido de garantir às sociedades por si administradas aceder com vantagem a negócios nas diversas modalidades da contratação pública, utilizando para o efeito uma rede de conhecimentos directos ou intermediados de ‘consultores’ que, não raro, são os próprios titulares de decisão e/ou individualidades com capacidade de influenciar o decisor ou com acesso a informação privilegiada.
Este conjunto de ‘consultores’ é constituído, na generalidade, por personalidades que exercem ou exerceram funções de responsabilidade em pessoas colectivas do sector empresarial do Estado, com participação maioritária de capital público ou concessionárias de serviços públicos e, também, políticos.
Na decorrência dos múltiplos actos investigatórios já realizados e em curso, tomou-se conhecimento e reuniram-se indícios consistentes de situações que, embora marginais ao escopo desta investigação (mas dela incindíveis face a alguns dos protagonistas), não podem deixar-se passar em claro, desde logo por se levantarem sérias dúvidas quanto à sua legalidade, mas sobretudo porque, a confirmarem-se nos seus contornos, representam um sério atropelo aos mais elementares princípios por que se devem nortear os Estados democráticos.
Na verdade, entre outras situações que oportunamente deverão merecer uma eventual investigação autónoma, existem nos autos indícios claros que a administração da Portugal Telecom, por determinação, solicitação ou desejo manifestado por decisor político de primeiro nível, e que é referido em múltiplas ocasiões, iniciou e desenvolve um processo (manifestamente marginal e que se quer manter clandestino) de aquisição de parte da TVI, com o objectivo assumido de tomar posição dominante e alterar a orientação daquela estação televisiva, que entendem hostil aos seus interesses políticos, fulanizando mesmo a questão numa jornalista.
Resulta da investigação que o processo negocial já se encontra em fase avançada, tendo sido definidos os contornos do negócio, montantes envolvidos, formas de aquisição e respectivas operações financeiras necessárias a tal fim e, também, a ‘proteger’ a verdadeira identidade da entidade compradora e, assim, evitar os ‘incómodos’ que resultariam de ela se tornar conhecida e naturais juízos quanto aos méritos, oportunidade e objectivos do negócio.
Seguro é, também, que um alto quadro da PT se deslocou no dia 3 do corrente mês de Junho a Madrid, à sede do grupo Prisa, para acertar pormenores da operação.
Nestes termos e face à sensibilidade da questão, vão os autos ao digno magistrado do Ministério Público com a sugestão que do assunto se dê, desde já, conhecimento à Procuradoria-Geral da República, permitindo-me opinar, com o devido respeito, da necessidade de ao assunto ser dado tratamento de absoluta confidencialidade, sob pena de pôr em causa o êxito e, até, a integridade da investigação em curso.