O total de desempregados inscritos nos centros de emprego em Portugal subiu19,6 por cento no mês de Fevereiro face ao mesmo mês do ano passado. Já em relação ao mês de Janeiro o aumento foi de 0,2 por cento no que resulta num total de 561.315 desempregados inscritos nos Centros de Emprego do Continente das Regiões Autónomas. Oposição e parceiros sociais já mostraram preocupação.
O aumento de quase 20 por cento de desempregados em Portugal no mês de Fevereiro significa “uma estagnação do desemprego, situação sazonal e positivamente anómala, já que em Fevereiro do ano passado, face ao mês anterior, por exemplo, houve um acréscimo de 21.333 pessoas (4,8 por cento)”, anuncia o Instituto de Emprego e Formação Profissional.
No entanto, o Instituto salienta na sua informação que pela primeira vez desde Maio do ano passado “o acréscimo de desemprego anual homólogo situou-se abaixo das 100 mil pessoas e dos 20 por cento de aumento homólogo”.
Dos dados divulgados destaque para a subida do desemprego em ambos os géneros face a Fevereiro de 2009, com o número de homens desempregados a aumentar 25,7 por cento, enquanto nas mulheres o valor avançou 14,7 por cento.
Já por grupo etário, o aumento do desemprego ocorreu tanto nos jovens (menores de 25 anos), como nos adultos, com subidas de 10,2 por cento e 21,1 por cento, respectivamente.
Fazendo a comparação com o mês Janeiro, o desemprego cresceu na Madeira (mais 3,8 por cento), no Algarve (com mais 1,9 por cento) e na região de Lisboa e Vale do Tejo (mais 0,6 por cento), enquanto no sentido contrário estão os Açores, onde o número de desempregados inscritos no IEFP caiu 2,3 por centro, Centro (0,8 por cento), Alentejo (0,5 por cento) e Norte (0,1 por cento).
Evolução lenta na criação de emprego
Do lado do Governo os dados apresentados, que representam alguma estagnação no desemprego, podem muito bem resultar numa evolução lenta para a criação de emprego.
A ideia é passada pelo secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Valter Lemos, que afirma que está a ocorrer uma “estagnação no número de desempregados” e que é a “segunda vez” que surge este tipo de variação: “já tinha acontecido de Novembro para Dezembro” do ano passado, recorda.
Valter Lemos salienta ainda que o número de novos desempregados inscritos nos centros de emprego “tem vindo a diminuir desde Outubro”, embora o aumento da duração do período de desemprego contribua para o crescimento dos valores globais de desemprego entre Janeiro e Fevereiro deste ano.
Mesmo assim o secretário de Estado deixa o aviso de que Portugal permanece “numa situação difícil” de “crise económica significativa”, pelo que a diminuição do desemprego deverá acontecer de forma “consistente, ainda que possa ser lenta”.
AIP pela concertação estratégica
Do lado do patronato a Associação Industrial Portuguesa (AIP) considera importante que “o aumento da concertação estratégica entre empresários, trabalhadores e Governo” contribuam para alterar a taxa de desemprego em Portugal.
Já sobre os dados do desemprego, o Presidente da AIP, Rocha de Matos, refere que “os dados divulgados pelo IEFP relativos ao mercado de emprego no mês de Fevereiro de 2010 parecem inserir-se na tendência de alguma melhoria que se regista no mercado de emprego nos meses mais recentes”.
UGT considera estagnação positiva
João Proença, secretário geral da UGT, já considerou positiva a existência de dados que indicam que o desemprego poderá estar a estagnar sem, no entanto, deixar de mostrar alguma desconfiança quanto à sustentabilidade dos dados ou se estes não serão mesmo um caso pontual.
“Os dados revelados este mês são claramente insuficientes para se poder ver se é um sinal sustentado ou uma realidade pontual”, mas que “todos os indicadores que mostrem que o desemprego poderá estar a estagnar é extremamente positivo” ainda que considere os dados do IEFP como “uma melhoria, mas não uma evolução sustentável”.
Para o líder da UGT “tudo o que dê sinais de reanimação do tecido económico e que se traduza em postos de trabalho é positivo”.
CGTP-IN acusa Governo de ser insensível
Insensibilidade do Governo para com os desempregados foi a ideia deixada pela CGTP-IN numa primeira interpretação aos números do desemprego divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional que contraria a ideia de alguma estagnação.
“O que se verifica aqui não é uma situação de estagnação. O desemprego continua a aumentar e esta subida de 0,2 por cento não contabiliza os estágios e formações profissionais não remunerados. Esta subida junta-se às subidas anteriores”, sublinhou o sindicalista Arménio Carlos.
Enquanto o IEFP interpreta os dados como uma “estagnação do desemprego, situação sazonal e positivamente anómala”, a CGTP não é da mesma opinião.
“Os valores não correspondem à realidade que temos. O desemprego é superior e os índices de protecção social a estas pessoas são insuficientes”, esclareceu Arménio Carlos que acusa ainda o Governo de “estar constantemente a dizer que o desemprego está a baixar”, situação que “demonstra uma imensa insensibilidade”.
PSD considera situação dramática
Do lado do PSD foi a deputada Rosário Águas a considerar que os novos dados sobre o desemprego são “a medida dramática” da situação do país.
Para a social-democrata os sinais não são de melhoria e duvida que estes sejam sintoma de que a situação melhore a breve prazo.
“Em termos de dias úteis, Portugal registou mais 500 desempregados por dia ao longo do último ano. Esta é a medida dramática da situação a que estamos a chegar. Ou seja, um país quase sem economia e, infelizmente, não vislumbrando medidas concretas consistentes e verosímeis para inverter esta situação”, referiu a parlamentar.
Para Rosário Águas o que ajudava era que o “Governo fosse muito convincente e humano no conjunto das propostas que fizesse ao país para inverter esta situação, porque só com essa atitude de verdadeira responsabilidade e seriedade é que o Governo poderá ter alguma influência na convocação de todos os cidadãos para ajudarmos neste período difícil aqueles que estão sofrer com esta situação terrível”.
PCP preocupado
Em reacção aos números do desemprego, o Partido Comunista Português já os considerou “muito preocupantes” e confirmam o “falhanço desastroso da governação do PS” no combate ao desemprego.
As considerações comunistas chegaram pela voz do deputado Jorge Machado que referiu ainda que estes dados são tanto mais “preocupantes” quanto o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) proposto pelo Governo que “vem agravar as opções políticas e a situação do desemprego, bem como a perspectiva de atacar os direitos do subsídio de desemprego e outras prestações sociais”.
No entender do deputado comunista, o Governo quer apenas “penalizar quem trabalha” e não “olhar para outras vias”, enquanto “a banca, os seguros e os grandes grupos económicos ficam à margem de qualquer tipo de sacrifício e são penalizados essencialmente os trabalhadores, seja da administração pública, seja do sector privado”.