Apesar de ter gasto 450 milhões de euros na aquisição dos doze helicópteros EH-101, o Estado nunca chegou a celebrar um contrato para a sua manutenção. Segundo informação do gabinete do ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, os contratos de manutenção de longo prazo estão agora em fase final de negociação….
Ou seja estão ao serviço desde 2006 (altura que foram entregues em Portugal) e sem contrato de manutenção…?
Quem é o culpado?

Lembramos que o contrato foi feito (iniciado) em 2001 com vantagens para Portugal …
“A manutenção dos 12 helicópteros EH-101 ‘Merlin’ em Portugal deverá gerar um montante de contrapartidas económicas superiores a 125 milhões de euros. A concretizar-se este contrato, o valor total de contrapartidas resultante da aquisição destes ‘helis’ ascenderá a 528 milhões de euros. Depois de meses de negociações entre o Ministério da Defesa e a Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC), presidida por Rui Neves, com a AWIL – AgustaWestland International, a empresa italiana a quem Portugal comprou os ‘helis’ em 2001, os responsáveis italianos daquela indústria militar manifestaram “a intenção de criar em Portugal uma capacidade de manutenção de helicópteros competitiva”. Para isso, segundo apurou o CM, a AWIL “propôs que as transferências de tecnologias associadas [à manutenção dos ‘helis’] integrassem o plano de contrapartidas” ligado à aquisição dos 12 helicópteros. Com a aquisição destes ‘helis’ por 446 milhões de euros, Portugal obteve contrapartidas económicas de 403 milhões de euros. A este montante, serão acrescidos mais 125 milhões de euros resultantes do contrato de manutenção que a CPC está a negociar com a AWIL. A aquisição dos Helicópteros EH-101 ‘Merlin’ envolve 13 empresas beneficiárias, entre as quais OGMA – Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, EFACEC e Iberomoldes.”
Adquiridos em 2002, após um concurso internacional concluído em 2001, estes ‘helis’ começaram a operar na Força Aérea Portuguesa (FAP) no início de 2006, substituindo os velhos ‘Puma’, cuja idade de serviço era superior a 30 anos…(deveria ter sido feito nesta altura o contrato de manutenção, ou não?)
8 anos, contados desde 15 de Fevereiro de 2002, é o prazo para implementar o plano de contrapartidas…senão Portugal perderá os benefícios do contrato negociado em 2002….
Mas o governo esqueceu que eles precisavam de manutenção… e que existiam contrapartidas…
Agora querem culpar quem muito bem o concebeu na época???
De 2006 a 2008 (sem manutenção) e ficam admirados com o que surge depois?
Noticias:
21 Abril 2008 - 00h30
Açores: Avaria em operação
Helicóptero em risco de cair ao mar
Um helicóptero da Força Aérea esteve em risco de cair no mar, na sexta-feira, devido a uma avaria durante uma operação de resgate, a 400 milhas (720 km) da ilha das Flores, nos Açores.
Na madrugada de sexta-feira, um helicóptero EH-101 Merlin respondeu a um pedido de auxílio, emitido por um paquete onde um passageiro apresentava sintomas de acidente vascular cerebral (AVC).
Quando o aparelho já se encontrava a sobrevoar o navio teve de abortar a missão, devido a uma falha mecânica. O CM apurou que a tripulação do helicóptero chegou a comunicar a possibilidade de terem de amarar. No entanto, os militares conseguiram chegar à base da ilha das Flores em segurança.
Os resgate do passageiro acabou por ser realizada pelo outro EH-101 que a Força Aérea mantém na Região Autónoma, com apoio de um avião P-3P ORION.
O helicóptero ficou estacionado na ilha das Flores, mantendo-se inoperacional. Com este incidente, apenas cinco dos doze aparelhos EH-101 Merlin, adquiridos pelo Estado em 2005, estão neste momento operacionais, e mesmo estes estão a funcionar com peças retiradas dos seis aparelhos que não estão a voar.
Apesar de ter gasto 450 milhões de euros na aquisição dos doze helicópteros EH-101, o Estado nunca chegou a celebrar um contrato para a sua manutenção. Segundo informação do gabinete do ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, os contratos de manutenção de longo prazo estão agora em fase final de negociação.
A frota de EH-101 Merlin, fornecida pela empresa italo-britânica AgustaWestland, tem revelado vários problemas técnicos. Em Novembro de 2007, ocorreram dois incidentes com estes helicópteros, um no Montijo e outro em S. Miguel, Açores, este último com feridos (ver Falhas). A situação levou a Força Aérea Portuguesa a levantar um inquérito, no qual participou a AgustaWestland. Na altura foram impostas restrições à utilização destes aparelhos.
O inquérito revelou que os incidentes não resultaram de erro humano, no entanto a AgustaWestland não conseguiu descobrir as falhas técnicas que estiveram na origem das avarias dos helicópteros. As restrições aos voos foram levantadas no final do mês de Janeiro deste ano. .
FALHAS
HELIS PUMA
A actividade dos EH-101 Merlin na Força Aérea iniciou-se em Fevereiro de 2006. Estes aparelhos substituíram os antigos Puma, ao serviço há 35 anos. Estes últimos, perante os problemas dos novos helicópteros, poderão voltar a ser utilizados.
CINCO FERIDOS
A 15 de Novembro de 2007 cinco pessoas ficaram feridas, incluindo a médica Helena Lima (na foto), quando um EH-101 fazia a evacuação de uma grávida da ilha de São Jorge para a Terceira. O helicóptero subiu bruscamente cerca de um metro e caiu logo a seguir.
MONTIJO
Poucos dias depois do acidente ocorrido nos Açores, o helicóptero EH-101 estacionado na Base Aérea n.º 6, no Montijo, teve uma avaria durante o resgate de um tripulante de um cargueiro, ao largo da costa de Lisboa. Mesmo assim, a missão foi cumprida
Antunes de Oliveira
É caso para dizer: “Não há “merlin” que aguente
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